Plantas do cerrado

#3 - Lobeira, fruta-de-lobo
Solanum lycocarpum St. Hil.

Família Solanaceae, mesma do tomate e pimenta malagueta

Espécie amplamente distribuída pelo bioma Cerrado, sendo também encontrada em estados de outras regiões, como o Paraná, Rio de Janeiro, Pará e Amazonas. Torna-se freqüente em áreas alteradas pelo homem, como beira de estradas.

A Lobeira

Arbusto ou arvoreta de até 5 m de altura (Foto A, arvoreta com a copa danificada pelo fogo), copa arredondada e aberta, com distribuição por todo o Bioma Cerrado. Folhas simples (Foto B), alternas, de consistência firme, densamente recobertas por tricomas (“pêlos”), margens irregulares, variando de 16-28 cm de comprimento. Floresce por todo o ano. Suas flores (Foto C) são hermafroditas, com 05 sépalas cuja porção soldada permanece aderida ao fruto (Fotos D e H), 05 pétalas lilases com a base soldada umas às outras; 05 estames com grandes e evidentes anteras amarelas, que liberam o pólen por pequenos orifícios em suas extremidades; o ovário (Foto E) é súpero, dividido em dois compartimentos (lóculos), característico da família Solanaceae (Foto F: fruto de tomate-cereja, mesma família da lobeira, desenvolvido a partir de ovário com 2 lóculos).


Após a polinização e fecundação, os ovários transformam-se em frutos (Fotos D, G e H) do tipo baga, globosas com até 20 cm de diâmetro, contendo polpa carnosa, com 300 a 500 sementes.

Sua frutificação é concentrada entre julho e janeiro. Multiplica-se facilmente por sementes, sendo comum encontrar plântulas em fezes de gado e lobo-guará.
Apesar de ser capaz de rebrotar após ser queimada, a lobeira pode ter seus frutos danificados pelo fogo (Foto H), o que pode comprometer sua reprodução.
Seus frutos representam até 50% da dieta alimentar do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), acreditando-se que tenham ação terapêutica contra o verme-gigante-dos-rins, que é muito freqüente e geralmente fatal no lobo.
Os frutos são utilizados na alimentação de populações tradicionais para o preparo de doces, geléias. Seu uso medicinal é amplamente difundido no bioma Cerrado.

É planta amiga dos criadores de gado. Apesar de ser considerada uma espécie daninha para lavouras e pastagens, suas folhas e frutos são apreciados pelo gado, podendo ser uma ótima alternativa como pastagem nativa durante a época seca, uma vez que as folhas não caem.


tomate-cereja
Lobeira

frutos da Lobeira danificados pelo fogo

Utilização medicinal da lobeira
Indicações
Parte usada
Preparo e dosagem
a. emoliente, anti-reumática a. folhas a. banho e compressa: 1 xícara de chá de folhas picadas para 1 litro de água fervente. Aplicar nos locais afetados 4 vezes ao dia por 10 minutos. Xarope: macerar 1 xícara de chá de rodelas do fruto e flores. Despejar ½ litro de água fervente. Deixar repousar por 12 horas. Coar, levar ao fogo 3 xícaras de açúcar cristal e preparar uma calda. Adicionar à calda a infusão preparada e mexer por 5 minutos. Guardar em um frasco de vidro muito bem limpo. Beber de 5 a 6 colheres de sopa ao dia.
b. tônico, contra asma, gripes e resfriados b. flores e frutos b. infuso: 1 xícara de chá de flores e rodelas do fruto para 1 litro de água fervente. Deixar esfriar. Adoçar com mel. Beber de 4 a 5 xícaras de café do chá ao dia.
Fonte: Rodrigues e Carvalho 2001 

composição da Lobeira

Aproveitamento alimentar: Receita de Geléia de Lobeira Madura

Ingredientes:

  • 1 Kg de polpa de lobeira,
  • ½ Kg de açúcar.
  • 1 limão

 

Modo de fazer:

  • retirar casca e sementes dos frutos,
  • ferver a polpa num pouco de água,
  • bater a polpa fervida no liquidificador,
  • adicionar ½ Kg de açúcar para cada quilo de polpa,
  • colocar algumas cascas e gotas de limão,
  • ferver novamente

nota: o ponto de geléia ocorre em 20 a 30 minutos. A geléia é de sabor um pouco azedo. Deve-se usar somente frutos maduros, pois é alto o teor de tanino nos “de vez” e verdes.

Fonte: Almeida et al. 1997 em Silva et al. 2001

Referências e sugestões bibliográficas sobre a lobeira:

  • Almeida, S.P. 1998. Cerrado: Aproveitamento Alimentar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 188p.
  • Lorenzi, H & Matos, F.J.de A.; 2003. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Nova Odessa, SP. Instituto Plantarum..
  • Rodigues, V.E.G. & Carvalho, D.A. 2001. Plantas Medicinais no domínio dos cerrados. Lavras, UFLA. 180p.
  • Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Emprapa Informação Tecnológica

 

Fernando Tatagiba, Msc. - tatagiba@biologo.com.br
Biólogo/botânico.
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