.plantas do cerrado

#7 - Mama-cadela
Brosimum gaudichaudii Tréc

Família Moraceae, mesma do carapiá, dos Ficus spp., e de gêneros comuns na Mata Atlântica, como Sorocea que apresentam espinhos margens das folhas e espetam os pés de desavisados que andam descalços pela mata. Também desta família, a amora (Morus sp.), a jaca e a fruta-pão (Artocarpus spp.), são exemplos de espécies introduzidas no Brasil que são bem conhecidas da população.

Mama-cadela pode ser encontrada na forma de arbusto ou arvoreta, atingindo até 4m de altura; possui ramos tortuosos e latescentes; folhas simples, alternas, de consistência bem firme, com pecíolo - "cabinho" da folha - curto, face inferior aveludada, nervuras principais amareladas na face superior, latescentes; a planta é monóica, ou seja, possui flores unissexuadas no mesmo indivíduo; as flores têm coloração verde-amareladas, são minúsculas, agrupadas na extremidade de pedúnculos pendentes das axilas das folhas, de maneira especialmente característica da espécie; os frutos são drupas, compostas pelo desenvolvimento e fusão dos ovários das diversas minúsculas flores reunidas, coloração alaranjada, alcançando 3 cm de diâmetro, comestível ao natural ou na forma de sorvete e doces.

A Mama-cadela
Arbusto de mama-cadela com cerca de 2 metros. Núcleo Rural Boa Esperança II, Distrito Federal.
Folhas da Mama-cadela
Mama-cadela: folhas simples e alternas, ou seja, a lâmina não é subdividida e de cada nó do caule desenvolve-se apenas uma folha, o que é padrão para toda a família Moraceae.

Planta muito utilizada pelas populações do Cerrado, como espécie medicinal contra gripes e bronquites, como depurativo do sangue e em má circulação. A casca é comercializada em bancas de raizeiros da região.

O bergapteno, furocumarina encontrada em cascas, raízes e frutos verdes da mama-cadela, é um princípio ativo já é bem conhecido, sendo utilizado (em combinação com as vitaminas A, B1 e B6) no tratamento do vitiligo e outras doenças que causam despigmentação na pele. Ainda que os estudos científicos a respeito dessa substância não estejam concluídos, de fato vem-se observando a repigmentação de áreas afetadas por vitiligo através de seu uso. Alguns laboratórios goianos, paulistas e do Distrito Federal estão elaborando comprimidos, extratos, tinturas, pomadas e cremes com base nesta planta, que é também recomendada em estados natural na forma de chás. Está entre as plantas citadas por 90% dos raizeiros, em um trabalho etnobotânico realizado na região de Goiânia.

A madeira, quebradiça, leve e macia, tem aplicações na marcenaria, sendo recomendável o uso de indivíduos jovens na confecção de papel. Tanto as folhas como os frutos integram a dieta de bovinos, o que lhe confere bom potencial forrageiro. Deve-se evitar retirar a mama-cadela em “limpezas” pastos, pois é ótimo complemento.
frutos da Mama-cadela
 

Outro possível uso é o das raízes como aromatizante de tabaco para cachimbo ou cigarro de palha, da mesma forma como os rizomas do carapiá.

flores da Mama-cadela
Detalhe das inflorescências de mama-cadela, com suas diminutas flores.

As sementes têm taxa de germinação entorno de 95 %, em até 40 dias. Pode ser cultivada a pleno sol.

química da Mama-cadela
fonte: Leão et al.2005
  uso medicinal
Detalhe da casca e entrecasca da mama-cadela, partes mais utilizadas na medicina popular.

Substâncias da classe das furocumarinas, todas presentes na mama-cadela. Todas estas substâncias apresentam capacidade fotossensibilizante. As furocumarinas são utilizadas desde é poças remotas para o tratamento de doenças com sintomas na pele pele, tais como psoríese, hanseníase, vitiligo, leucodermia, micoses, dermatite e eczemas. (Fonte: Leão et al. 2005)

madeira da Mama-cadela
Feixes (25 cm de comprimento) de casca do caule de mama-cadela, vendidos em bancas de raizeiros no Distrito Federal. "Um é 3, dois é 5! (R$)".
Mama-cadela
Frutos maduros de mama-cadela, Distrito Federal. Frutifica de julho a dezembro. A dispersão das sementes se dá por mamíferos e aves.
Utilização medicinal da mama-cadela.
Indicações
Parte usada
Preparo e dosagem

a. manchas da pele, vitiligo

a. casca de ramos e raízes

a. decocto ou infuso: 1 xícara chá de raiz e casca do caule picados, diluir em 1 litro de água. Passar 2 vezes ao dia nas plantas afetadas.
b. depurativo do sangue, na má circulação do sangue b. ramos com folhas b. decocto, infuso ou no vinho seco: 1 xícara de chá de folhas e ramos picados para 1 litro de água ou vinho. Deixar repousar por 24 horas. Beber 2 xícaras de chá ao longo do dia ou 1 copo de vinho ao dia.
c. gripes, resfriados e bronquites c. toda planta c. infuso (vinho ou água): 1 xícara de chá da planta picada para 1 Litro de vinho ou água fervente. Deixar repousar por 24 horas. Beber de 4 colheres de sopa do vinho ou chá morno ao dia. Pode-se adoçar com mel.
Obs. Quando preparado com vinho, não deve ser dado para crianças e a dosagem do chá deve ser reduzida pela metade.
Fonte: Rodrigues e Carvalho 2001.

 Todas as fotos são de autoria de Fernando Tatagiba - Distrito Federal e Chapada dos Veadeiros-GO

Referências:

• Almeida, S.P. 1998. Cerrado: Aproveitamento Alimentar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 188p.
• ALMEIDA, S.P.; PROENÇA, C.E.B.; SANO, S.M.; RIBEIRO, J.F. , 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMPRAPA-CEPAC.
Leão, A. R.; da Cunha, L. C.; Parente, L.M.L.; Castro, L. C. M.; A. C.; Carvalho, H.E.; Rodrigues, V. B. & Bastos, M.A. 2005. Avaliação clínica preliminar do Viticromin em pacientes com vitiligo. Revista Eletrônica de Farmácia vol. 2 (1), 12-23, 2005. www.plantamed.com.br/ESP/Brosimum_guadichaudii.htm
Luciana Melhorança Moreira Añez, , Epifania Rita Vuaden1, , Suzinei Silva Oliveira1, , Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque e Maria de Fátima Barbosa Coelho5. TEMPERATURAS PARA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE MAMA-CADELA (Brosimum gaudichaudii TREC - MORACEAE). www.ufmt.br/agtrop/Revista6/doc/10.htm.
• Barroso, G.M; Peixoto, A.L.; Ichaso, C.L.F.; Guimarães, E.F. & Costa, C.G. 2002. Sistemática de Angiospermas do Brasil. Volume 1. 2a Ed. Viçosa:UFV.
MARIA INÊS CANAAN DE OLIVEIRA; MAGALI BORGES DE OLIVEIRA. IDENTIFICAÇÃO, QUANTIFICAÇÃO E DETERMINAÇÃO ESTRUTURAL DE ÓLEOS ESSENCIAIS PARA AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA E TOXICOLÓGICA
www.propesq.ufjf.br/seminario/CDSEMINARIO2003/pesq/proj/proj181.htm
• Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Emprapa Informação Tecnológica.
• Silva Júnior, M.C. et al. 2005. 100 Árvores do Cerrado: guia de campo. Brasília, Ed. Rede de Sementes do Cerrado, 278p.
• Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2005. Botânica Sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG II. Nova Odessa-sp, Instituto Plantarum.
• Vidal, W.N. & Vidal, M.R.R. 1990. Botânica – Organografia. 3a Ed. Viçosa, UFV.

Fernando Tatagiba, Msc. - tatagiba@biologo.com.br
Biólogo/botânico.
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